A madeira Storyteller

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O conjunto de toras pode ser imaginada como se fosse uma mesa sobre a qual o moleskine do autor encontra seu espaço cativo para assim poder registrar atentamente os passos dessas trilhas sinuosas que percorre a criatividade de um para então elaborar as tramas que irão fazer trilhar a imaginação de outros.

Mas, por outro lado, também não surpreenderia se a madeira em questão fosse o tablado de um palco sobre o qual estão pousadas as anotações de um ator relacionadas ao ponto de vista da personagem que ele está incorporando.

Nada impede de ser parte da cenografia de um set de filmagem ao qual recosta-se as muitas páginas em que estão impressas as diversas percepções e pontos de vista de cada uma das muitas cenas que deverão ganhar vida.

Pode até mesmo ser a madeira coletada por diversos amigos e dispostas ali, frente a um lago, à espera da noite para que se possa fazer surgir a chama que irá somar o seu calor à das muitas garrafas de vinho e juntá-los todos para que contem suas curiosas, magníficas e inesquecíveis histórias.

Pensando por aí, também pode ser uma mesa de jantar, em que o pai – enquanto serve mais uma rodada de spaghetti – conta aos seus filhos mais detalhes dos épicos duelos de futebol; os quais eles ainda não eram vivos para ver, mas certamente irão morrer sem esquecer.

Seja como for, a madeira está presente na vida do ser-humano de forma tão arraigada e anciente quanto a própria história. E hoje só chegamos onde estamos – se temos abrigo, se vivemos em sociedade, se nos locomovemos grandes distâncias e se temos heróis milenares – é por conta de ambas.

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A história se virou contra o storyteller

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Esse tal de storytelling

Você passou horas numa maratona de Dexter, Doutor House ou Mad Men. Dez episódios se passaram e você continua dizendo ‘só mais esse’. E ainda bateu a irritação de pensar que a próxima temporada só no ano que vem. Se você olhar de fora, o efeito da história sobre você até parece bruxaria.

A magia das histórias está na peculiaridade. Ninguém se interessaria por uma aventura de um herói genérico numa missão qualquer. O herói tem que ter RG e personalidade. Se o personagem não for mais interessante do que pessoas reais, por que perder tempo com ele?

E outra: é bom que ele esteja numa missão muito importante. Do tipo que vai decidir o destino do mundo.

O poder dos detalhes

O específico é o que nos enlaça. Mas por não tratar de coisas ‘quaisquer’, toda história vem amarrada com um risco: o que só a audiência viu.

Cada detalhe conta muito mais do que se imagina. O autor vai todo animado apresentar seu herói. Aí vem a audiência e acha que o mocinho está mais para o bobo da corte. Se é perigoso para o autor, imagina para executivos que buscam glorificar suas marcas.

Storytrends

Storytelling como ‘ferramenta corporativa’ é uma tendência que vem ganhando força a cada dia. É natural num mundo com tanta informação de pouco significado. Contar uma história para dizer alguma coisa, faz essa mensagem subir um degrau. Fica mais apetitoso para a mente que acompanha a narrativa.

Mas como nada é de graça, ao ficar mais envolvente e interessante, a mensagem passa a concorrer com a Cia das Letras, com a Globo e até com a Pixar. Por subir um degrau, ela passa a concorrer contra histórias. E aí só as melhores se perpetuam. Uma sobrevivência Darwinista.

Técnica do artista

A importância da técnica artística fica evidente na concorrência pela melhor história. Sem o verniz do escritor, poucas histórias têm chance de sobreviver. Por isso que existem ghost writers. Para quem tem bons conteúdos mas não domina a técnica. Mas ainda mais importante é o talento autoral. Em descrever situações intensas, sem jamais deixar de ser sincero nas emoções. É a emoção o combustível das histórias. Para expressar emoção só tem um jeito: sentindo. Se o autor não sente nada, nada passa. A atenção vaga. O canal muda. A página fecha.

Para que o feitiço não volte contra o feiticeiro o melhor é evocar um mago experiente. O Mestre dos Magos, se possível. Quando investir em storytelling, investigue o storyteller. Desconfie do ‘consultor’, ‘palestrante’ ou ‘professor’ que se diz ‘especialista em storytelling’, mas nunca escreveu uma história. #ficadica

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Para Ser Storyteller II

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Inegável e inquestionável: todos contamos histórias. Temos feito isso mesmo antes que elas pudessem ser registradas. Mas quando eu falo em se tornar Storyteller, assim, em inglês e com S em caixa alta, quero  me referir ao contador de histórias profissional. Estou falando de quem tira sua renda de seus enredos. Pessoas que ‘vivem para’ e ‘sobrevivem de’ contar histórias.

É aí que entra técnica, talento e sensibilidade. Não basta fazer rimas para ser um poeta. Não basta ser alfabetizado para ser escritor. Aliás, saber escrever bem um texto técnico, científico ou publicitário não ajuda (e às vezes atrapalha) a escrever um narrativo. Da mesma forma, não basta contar histórias para ser um Storyteller. Tem muita gente que começa a contar uma história e logo causa o efeito oposto do esperado: ao invés de entreter, entedia.

Entreter é um dos fatores primordiais da narrativa. Se não for para entreter, melhor ser direto ao ponto como faz o jornalismo contemporâneo. Mas não fica por aí. A atenção é, sim, o oxigênio das histórias. Mas as histórias respiram por um motivo. E esse motivo, que reside na raiz tanto da literatura como da dramaturgia, foi o que manteve viva a tradição de contar histórias por tanto tempo: contar verdades que de outra forma seriam amargas demais para engolir.

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Para Ser Storyteller I

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Não posso dizer que tenho todo o conhecimento de storytelling. Na verdade, nenhum autor pode. Aliás, os grandes autores dizem que ‘você jamais pode dominar a arte de contar histórias, no melhor cenário você pode aprender a contar aquela história em que está trabalhando.’ 

O ato de narrar histórias é o centro de todas as formas artísticas e um processo de aprendizado que dura a vida toda. E mesmo sendo uma das atividades mais antigas da Humanidade ainda é um assunto em constante evolução. Volte um século no tempo e nem cinema existia. E hoje existe essa coisa com o estranho nome de transmídia. Se há tanta informação e transformação, por onde começar? 

O primeiro passo é garimpar o próprio histórico de vida atrás das grandes descobertas e experiências transformadoras.  É preciso extrair do histórico as boas histórias.  

Para se tornar um storyteller profissional é preciso transformar essas histórias em projetos. Ou seja, obter renda dos enredos. Não é fácil. Mas também não é impossível.

Tudo parte do sonho. De querer algo distante. Como uma fruta num galho mais alto que o braço alcança. Mas de querer tanto aquela fruta que se disponha a trepar na árvore, sabendo que o galho pode quebrar e cair. Ou de vencer a preguiça e ir buscar uma escada. Ou ainda de construir uma escada. É como dizem em outras terras ‘where there’s a will, there’s a way’.

Sonhos temos todos. São como sentimentos. Alguns deixam mais trancados, mas não é por isso que deixam de existir. Nada que uma busca interna não encontre. #google-se

Com esse sonho em mente o próximo passo é ao papel passá-lo. Mas isso fica para o próximo post. Até lá, tenha bons sonhos!

‎”A gente tem que sonhar, se não as coisas não acontecem” ~Oscar Niemeyer

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Já ouviu falar em high-concept?

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Os roteiristas de Hollywood sabem muito bem. Nem adianta levar um roteiro para avaliação dos estúdios se não tiver high-concept.

Na medida em que o storytelling entra na vida das agências e corporações, o high-concept entra junto como se fosse um passageiro VIP. Melhor ainda, como se fosse o indispensável co-piloto de uma aeronave.

O tal do high-concept é a ideia capaz de gerar uma narrativa interessante. É a ideia para uma boa história.

Quando você, autor, for perseguir high-concepts, não vai aceitar nada menos do que a mais alta qualidade, estou certo? Ah, orgulho! Pois bem, o high-concepts mais poderosos são aqueles dotados de uma ideia original e ainda assim simples o suficiente para serem compreendidos em uma só frase.

Alguns exemplos para ilustrar:

– É a história de uma criança e seus brinquedos… pelo ponto de vista dos brinquedos.

– A história do serial killer que só caça serial killer.

– A história de que, na verdade, essa nossa realidade se passa dentro dos computadores.

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A FÓRMULA DO STORYTELLING

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Não tem mais ninguém com você no elevador social, então você aproveita o espelho para ajeitar alguns fios mais rebeldes. A velocidade diminui de modo que você faz uma última pose e logo em seguida fica de frente para a porta. A porta se abre e você quase cai para trás enquanto pisca os olhos para tentar desfazer a imagem que diante de si. Do lado de fora um zumbi aguardava por esse momento e agora ele acaba de erguer os braços e dar o primeiro passo em sua direção…

“As leis da escrita são tão imutáveis quanto às da matemática, da física e da aviação” certa vez escreveu Ernest Hemingway numa carta para o colega Maxwell Perkins. As leis da escrita às quais ele se refere, compõem metade de uma fórmula maior. A fórmula do storytelling.

O artigo começou com uma pequena situação envolvendo o mito dos mortos-vivos, um tema que está em torno da franquia ‘The Walking Dead’ e com o filme ‘Guerra Mundial Z’. Retomando a narrativa, sim, pode ser que o mundo tenha sido atingido novamente por um apocalipse zumbi e você esteja descobrindo em primeira mão. Mas também pode não ser nada disso, pode ser apenas uma pessoa brincando com uma fantasia de carnaval. Ora, se fizer sentido, tudo é possível.

Tudo o que “pode ser que isso, ou pode ser que aquilo” está no campo daquilo que consideramos como story. Story é tudo aquilo que é imaginário. Já o telling é a busca por uma forma de expressar isso. O telling é o exercício de tirar da cabeça e transportar para o papel.

Foi então que eu defini uma regra para meus trabalhos. Para que o estiver no seu papel possa agora invadir outras cabeças e brincar com a imaginação e, quem sabe até, com o coração dos outros, existe uma máxima que pode ser inclusive apresentada numa equação matemática: Story > Telling.

A tradução dessa fórmula é simples. Ela significa que não importa se você estiver fazendo uma apresentação corporativa, um anúncio para uma multinacional ou um romance para vender nas livrarias; sua obra será ruim por definição se aquilo que estiver na sua cabeça estiver inteiramente expresso nos seus slides, nos seus 30 segundos ou na somatória das suas páginas.

Quando falamos do pensamento de storytelling, o segredo não está somente em como contar a história, mas principalmente no que deixar de contar. Afinal, como você quer que as pessoas pensem na sua história se você não deixou espaço pra que elas pudessem imaginar?

Ainda cabe um adendo para que essa fórmula funcione. Como ensinou Ernest Hemingway no livro ‘Paris é uma Festa’ “A história era sobre o retorno da guerra, mas em nenhum momento a guerra foi sequer mencionada (…) Esta parte foi omitida de acordo com a minha nova teoria de que você pode omitir qualquer coisa se você sobre aquilo que você está omitindo e que a parte omitida iria fortalecer a história e que faria as pessoas sentirem algo maior do que elas poderiam compreender.”

Não é por acaso que o gênio da literatura afirmou que sua contagem diária de palavras girava em torno de 400 a 600, num dia inspirado. Com mais de 300 ele ainda se sentia bem.

Argumentou que alguém que critique essa quantidade não entende nada sobre escrever bem e nem sobre a felicidade que alguém tem ao despejar 422 palavras dispostas tão bem quanto você imaginava. Só mesmo o exagero no story e a diligência no telling para que seu texto ganhe vida.

A fórmula do storytelling é simples, mas não é fácil… o artigo foi escrito originalmente para o portal Nós da Comunicação.

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O MITO DA PUBLICIDADE CONTADORA DE HISTÓRIAS

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Ao começar um curso eu gosto de perguntar “quem aqui pediria ao gênio da lâmpada o poder de contar bem uma boa história?”. Raramente alguém levanta a mão. Das mais de duas mil pessoas que treinei, não passam de 30 as que pediriam tal poder. O curioso é que ao questionar aqueles que não levantaram a mão as respostas sempre giram em torno de dois motivos.

Grande parte das pessoas preferiria pedir a fortuna do Tio Patinhas. Tudo bem, é um desejo bastante justo. Mas, no entanto, e se no dia seguinte o governo confiscar esse dinheiro? Por outro lado, com o poder de contar uma boa história, a escritora J.K.Rowling conseguiu sagrar-se a mulher mais rica do Reino Unido e caso o governo confisque a fortuna, basta que ela conte a história dos pais ou dos filhos de Harry Potter que estará bilionária novamente.

O ato de contar história nos acompanha desde os tempos mais remotos. Antes de inventar a escrita, antes mesmo de criar as pinturas rupestres, nossos ancestrais já se sentavam ao redor de fogueiras para longas sessões narrativas. Graças a isso que, geração após geração, fomos capazes de acumular conhecimento e aperfeiçoar a nossa condição. Quem trabalha com comunicação sabe disso. Ainda assim, também essas pessoas não pediriam ao gênio esse poder ancestral. Só que nesse caso a justificativa é outra.

Quem trabalha com comunicação e, em especial publicidade, julga que já sabe contar histórias e afirma que pratica storytellingtodos os dias no ofício. Engana-se quem acredita que a publicidade sempre fez storytelling, da mesma forma que se engana quem acha que quem escreve emails é um escritor. Storytelling vai muito além de redigir textos e roteiros. Digo isso de experiência própria.  Para afirmar que a publicidade sempre contou histórias é preciso recorrer a um anúncio de 1987. Fica a impressão de que já faz 25 anos que os publicitários estão perdendo a chance de contar boas histórias.

Já trabalhei como redator e sempre ‘soube’ que por ter feito dezenas de roteiros eu dominava a arte da narrativa. Só quando fui escrever a primeira peça teatral que entendi (por) que storytelling é outra coisa.

Não quero dizer que a publicidade brasileira não faz uso da narrativa. Ela o faz na mesma medida em que as pessoas pediriam ao gênio da lâmpada o poder de contar bem uma boa história. É raro, mas acontece. E seria muito melhor se acontecesse mais.

As pessoas não querem mais ser tratadas como target de consumidores. As pessoas – eu que escrevo, você que lê – querem usar o tempo da melhor forma possível. Sempre que possível, evito anúncios. Mas se eu tiver que pagar, pago feliz pelo ingresso do cinema. Também não me importo em pagar para ter acesso a livros, games e revistas em quadrinhos. Esses são os lugares onde estão as boas histórias e é aí que devemos recorrer para aprender como manter acesa a chama milenar do poder de contar bem boas histórias. O segredo é que não é dom, tampouco inspiração. Para fazer um bom storytelling qualquer comunicador pode contar com técnicas narrativas para parar de depender do acaso.


Esse texto foi originalmente publicado no portal Ideia de Marketing.

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FUTURO DO STORYTELLING

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Quando falamos de storytelling, um dos pecados capitais é o clichê. Como nesse texto eu não narro uma história, vou “errar” e começar esse texto com esse recurso: “ensinar também é aprender”. Depois de mais de mil alunos, uma coisa ficou clara diante das reações e das plateias: para onde aponta o mercado.

Invariavelmente, os alunos cercam os professores na saída e disparam perguntas. O teor é sempre o mesmo, dos elogios como “achei ótimo e diferente de tudo o que li a respeito” e das dúvidas típicas “e aquele anúncio X é storytelling?”, sendo que o anúncio em questão costuma contar uma historinha no estilo Don Drapper e seu cowboy. Então só nos resta responder que “sim, é um exemplo de uma boa AÇÃO de storytelling”. Até porque  tentar classificar se uma peça de comunicação “é ou não é storytelling” acaba saindo do foco.

Contamos histórias como forma de expressão desde quando morávamos em cavernas iluminadas somente pela luz das fogueiras. Desde então, quem domina o ato de narrar bem as histórias tem se destacado em todas as sociedades.

Não quero dizer que exista uma forma única de se contar histórias, mas com certeza existem formas melhores. Da mesma forma que existe formas melhores de se jogar futebol. Ou não seria possível eleger o melhor jogador do mundo. Ou não existiria o Oscar, a Palma e o Globo de Ouro.

Sim, é possível melhorar a performance das narrativas, ao mesmo modo dos atletas com seus resultados esportivos. Tudo começa com o treino. Quem lê e escreve todos os dias, vai contar histórias melhores. Além disso existem os fundamentos e as técnicas que podem ser aprendidas. Eis parte do curso.

Quando falamos de ‘storytelling’ nos dias de hoje, estamos quase sempre nos referindo a um processo que pode ser controlado. Não é o simples ato de contar uma história. É se lançar nessa narrativa com um propósito. Quando contextualizamos no ambiente de marcas, é possível listar 15 funções de uma história bem contada. 

O interessante dessa história é que apesar de contarmos histórias há milênios, a maior parte dos estudos de como contar histórias é recente. Quando pensamentos em termos empresariais, podemos dizer que não passam de uma década. A moral da história é simples: o futuro da expressão corporativa está no storytelling. É só uma questão de tempo, treino e aprendizado.

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ESTUDO DE STORYTELLING: CONCEITOS, PRÁTICAS E CASES

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Storytelling: Conceitos, práticas e cases

Ferramenta utiliza técnicas narrativas e pode ser usada pelas empresas na busca por uma maior aproximação com seus públicos.

O termo Storytelling, traduzido como “narrar histórias”, não representa algo novo, já que o hábito de relatar fatos reais ou fictícios sempre existiu. O termo e sua aplicação, no entanto, destacam a importância da narrativa como forma de levar conhecimento e diversão às pessoas. Além disso, evidencia o quanto a técnica pode ser estratégica para que as empresas criem vínculos emocionais com os consumidores. O hábito de contar histórias faz parte da vida dos homens desde que começaram a se comunicar.

No início, as informações transmitidas eram focadas em passar ensinamentos e crenças aos mais jovens, mas ao longo dos séculos algumas narrativas ultrapassaram barreiras geográficas e culturais, persistindo até hoje. Caso, por exemplo, das que falam sobre os deuses da mitologia grega. As histórias criadas tornaram-se mais complexas conforme acompanharam o desenvolvimento humano e inúmeras técnicas foram sendo elaboradas para que os enredos fossem mais cativantes. A literatura e o cinema – bem como o teatro e até os videogames – se apropriaram delas e se transformaram em importantes fontes de informação e entretenimento das sociedades.  Sendo assim, podemos dizer que o storytelling não é algo novo, mas que o termo e sua aplicação trouxeram a consciência da importância de boas histórias como forma de transmitir sentimentos, expectativa e emoção para levar conhecimento e diversão às pessoas.

A palavra em inglês pode ser traduzida como a expressão “narrar histórias” e consiste em um método que utiliza palavras ou recursos para narrar acontecimentos ou fatos que sejam reais ou ficcionais. Seu uso pode servir para a aprendizagem, já que tem a capacidade de levar conteúdos de forma acessível e agradável a um grande público por meio de significados compartilhados que facilitem a disseminação.

Também é um recurso que pode dar sentido a um determinado contexto para que ele possa ser melhor assimilado, caso de técnicas de psicoterapia, ou para transmitir boas emoções em momentos de tensão. Em 1997/1998, por exemplo, o storytelling foi utilizado pelos pesquisadores Dennis Bromley, Marina Bers, Edith Ackermann, Justine Cassel e Beth Donegan para ajudar jovens pacientes cardíacos do Hospital Infantil de Boston a suportar os medos e problemas decorrentes da doença, da internação e dos procedimentos médicos. Eles utilizaram o kit em base web chamado SAGE para que fosse possível a criação de histórias que cativassem as crianças. Tal método serve ainda para passar elementos culturais, como regras e valores éticos, a um público por meio de um discurso que faça o receptor repensar suas crenças ao mesmo tempo que aproxima os interlocutores. Isso só é possível porque o que está sendo passado não são dados ou argumentos técnicos, que estimulam análises críticas, e sim a emoção, que permite uma visão menos cética e um posicionamento mais aberto ao que está sendo apresentado.

Por todos esses aspectos, Fernando Palacios, Pedro Álvares Cabral do Storytelling, afirma que “o storytelling é uma ferramenta primitiva, porém muito sofisticada de transmitir uma mensagem”. Ou seja, acaba sendo atemporal.

Storytelling no contexto das marcas

Por trazer conceitos muito conhecidos, o storytelling sempre fez parte da comunicação comercial e tem sido especialmente utilizado pela publicidade na construção da identidade das marcas e de uma conexão com o público. Um caso famoso é o do clássico comercial “O Primeiro Sutiã a Gente Nunca Esquece”, que Washington Olivetto fez para a marca Valisère em 1987. O sutiã foi apresentado como personagem principal e representou a chegada da maturidade da menina. O recurso, no entanto, nem sempre foi bem aplicado pelas organizações e são poucos os exemplos memoráveis.

Nos últimos anos, o método tem ganhado uma relevância nunca antes vista devido à maior importância dada ao vínculo emocional entre empresas e pessoas. Isso tem obrigado os profissionais de Marketing e Comunicação a entenderem melhor do que se trata e a buscarem formas mais eficazes de envolver o consumidor. Antes, havia um número limitado de estações de rádio, emissoras de televisão e jornais, mas hoje, além de as opções serem mais amplas, a Internet e outras tecnologias trouxeram novas formas de interação entre as organizações e o público.

Com isso, conquistar a atenção dos consumidores está cada vez mais difícil e as marcas precisam oferecer um conteúdo com o qual eles se identifiquem e simpatizem. Além disso, as pessoas conseguem saber tudo sobre os produtos e seus fabricantes com simples buscas online e, dessa forma, alteraram o equilíbrio do poder. As marcas são avaliadas não só pelos seus produtos, como pelo seu envolvimento com questões socioambientais, inovação e pelo grau de afinidade que são capazes de criar junto aos stakeholders.

Hoje a noção de que as marcas pertencem aos consumidores e não às corporações é mais forte. As pessoas naturalmente estabelecem vínculos emocionais com as empresas e exigem que haja uma relação de troca explícita. Por isso, estabelecer conexões emocionais duradouras é fundamental para que a fidelização seja possível. O storytelling aparece nesse contexto como um elemento capaz de ajudar a disseminar uma ideia, construir uma imagem para a marca e até alavancar vendas. E, ainda que a venda não seja uma consequência direta, boas histórias são capazes de dar um espaço maior às marcas em meio as abundantes informações disponíveis.

As narrativas são capazes de entreter e emocionar, promovendo interação e troca de mensagens e experiências entre os consumidores e as marcas. Segundo Seth Godin no livro “Todo Marqueteiro é Mentiroso!”, as pessoas não compram produtos, mas histórias que as cativam por corresponderem à visão que têm do mundo. As mercadorias trazem uma promessa sutil que não impede um raciocínio lógico, mas que apela para os sentidos fazendo com que o indivíduo acredite e até embeleze uma história, mesmo que seja uma fantasia, para que ela lhe proporcione algum tipo de satisfação. Ou seja, as pessoas naturalmente querem acreditar nas narrativas.

É devido a isso que grandes companhias como Coca-Cola, Nextel, Ford e Natura já investem no storytelling como forma de estarem no coração e mente das pessoas. A questão da lembrança é especialmente importante porque muitos psicólogos e neurocientistas afirmam, com base em pesquisas, que as narrativas ajudam informações passadas a serem melhor processadas pelo receptor. O psicólogo e professor de Harvard e Oxford Jerome Bruner constatou, por exemplo, que um fato tem 20 vezes mais chance de ser lembrado se estiver ancorado em uma história.

Storytelling transmídia

Além de uma história interessante e convergente, é necessário saber em qual plataforma ela estará presente. Muitas vezes, a melhor opção é escolher mais de uma para que o alcance seja maior, já que o perfil do público que consome um meio não necessariamente é igual ao que utiliza outro.

O storytelling transmídia consiste em transcender diversas mídias para contar uma mesma história, tendo cada uma sua participação no todo.  Em um cenário em que os consumidores se cercam de diferentes fontes de informação, às vezes até as utilizando simultaneamente, é importante que o conteúdo – formato e linguagem – seja adaptado e respeite às particularidades de cada mídia.

Via televisão, web ou dispositivo móvel, o storytelling transmídia serve para que o público não apenas compreenda o conteúdo, mas vivencie uma imersão na narrativa e se engaje independente do canal pelo qual se conecta. Uma inserção comercial de 30 segundos na televisão pode ter uma continuação na Internet e promover uma ligação entre YouTube, site e outros canais. O filme “Poderosas do Brasil”, da C&A, mostrava meninas que estavam começando a modelar através de dois ângulos diferentes. Na televisão, apresentava o glamour da passarela e o backstage, já na web, focava em explorar a história individual de cada uma. Ou seja, cada parte se complementava para mostrar uma única narrativa.

A mensagem deve ser a mesma em todos os canais para manter a conectividade e a coerência. Por isso, a marca precisa ter muita consciência sobre sua proposta para não provocar nenhuma contradição ou ruído na forma como se comunica. Caso consiga demonstrar algo relevante e agregar as plataformas em uma mesma ação, ela terá muito mais chances de que o conteúdo mantenha-se em evidência e que as pessoas interajam com ele, seja comentando ou compartilhando.

Para os profissionais envolvidos, monitorar e gerenciar a proporção que a ação tomou é outra questão a qual devem ficar atentos. Por mais que em um primeiro momento pensar em storytelling, especialmente transmídia, pareça algo exclusivo para as grandes companhias, essa é uma ferramenta que pode ser bem aproveitada também pela pequenas. As mídias sociais permitem que empresas de todos os tamanhos contem histórias sem gastar as gigantescas verbas  exigidas pelos veículos tradicionais, como televisão.

Entre as possibilidades está a de produzir um vídeo de baixo custo – porém bem feito – que se alastre pela força de seu enredo e não pelo quanto foi gasto para isso. A grande vantagem desses canais também é a maior proximidade com o público-alvo.

O Facebook e o Twitter, por exemplo, podem ser usados também para buscar uma interação com os consumidores e estimulá-los a compartilhar suas histórias. A criatividade e o uso das técnicas necessárias é o que basta para realizar um storytelling bem elaborado. Ideias simples podem se tornar grandes cases.

O Google, por exemplo, criou um dos comerciais de maior sucesso do Super Bowl – final da liga nacional de futebol Americano e principal evento esportivo dos Estados Unidos – de 2010 com o filme “Parisian Love”. O comercial mostrava a história de um amor que começava em uma viagem de estudos a Paris e se desenrolava mesmo com a distância, tudo mostrando uma narrativa que se desenvolvia apenas com as buscas feitas pelo Google. Apesar de ter sido uma das produções mais baratas e com menos ação e efeitos especiais do evento, foi uma das mais lembradas pelos telespectadores. É claro que o Google pôde mostrar sua criação no intervalo comercial mais disputado nos Estados Unidos, mas a simplicidade da ideia demonstra que as pequenas empresas não precisam de grandes investimentos para se conectar mais profundamente com o seu público. Elas têm, inclusive, a vantagem de ter consumidores mais íntimos, que melhor conhecem a trajetória da marca e que a empresa também mantém uma relação mais próxima.

Nesse caso, basta analisar como a história poderá ser contada da forma mais direta possível e investir nesse relacionamento, que é ainda mais fácil de ser conquistado do que no caso de grandes corporações.

Post publicado inicialmente pelo Mundo do Marketing / Estudos

Acesso via Associação Brasileira de Video e Games

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UNIVERSO TRANSMÍDIA NO PLANETA DOS MACACOS

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Transmídia é uma forma muito contemporânea de se contar uma história: ao invés de seguir por uma só linha, a narrativa pode ganhar novos horizontes. No caso da franquia Planeta dos Macacos, o transmídia começou logo com o primeiro filme: ao invés do remake do seriado, o filme foi mostrar a origem de como o nosso planeta foi tomado pelos símios. Assim, o filme ajuda a complementar a história do seriado na mente dos indivíduos que já conheciam a história.

Entre o primeiro e o segundo filme, passam-se dez anos. O estúdio Twentieth Century Fox uniu forças com a Vice para criar conteúdos complementares que acontecem no hiato entre os filmes e que ajudam a aprofundar os dilemas de todos os sobreviventes à gripe símia.

1 ano depois, o silêncio no meio da crise:

https:/c/www.youtube.com/watch?v=ejrtt37XzOY&feature=youtu.be&list=PLTlJK3kwZIbQJn1L-Z0oTqKxYDE0NmNwg

5 anos depois, a tensão dos poucos que sobraram:

10 anos depois, a loucura testemunhada por uma arma:

Além dessa imersão no universo ficcional, existe ainda um documentário que se passa no nosso mundo atual. Considerando que o filme trata de um futuro distópico – aquele em que tudo vai de mal a pior – é eficaz a estratégia de provar que o cenário apresentado no filme está mais próximo do que imaginamos.

O que existe de especial nesse case é o fato de que apesar de não usarem muitas frentes narrativas, as peças são todas muito bem construídas: tanto em termos de produção, quanto de enredo. Cada uma adiciona uma camada a mais no universo ficcional. Para quem está atento, é um prato cheio, com toda a vantagem da estratégia transmídia: mesmo que você não tenha visto nenhum dos filmes, você pode ver os curtametragens.

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